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Thoughts on finite matter
Escultura, Série
2023
Porto, Portugal
Trabalho comissionado para o The Largo Concept Hotel.
Desenvolvi 25 pequenas arquitecturas fabulativas.
Peças as quais gostava de ser eu pequena para deambular por entre seus espaços, colocar-me à sua sombra. Também se tratam de uma espécie de reencontro entre matérias vivas: a madeira, que, enquanto lasca, passa a ter uma organicidade mais próxima da árvore que já foi um dia há 500 anos, e a resina de pinheiro, que não veio da mesma árvore, mas veio de outra, conectando ambas nesta nova construção.
As peças são feitas a partir de materiais elementares e têm um peso muito leve. Mesmo assim, a delicadeza é maior que a do Cristal. A sua longevidade, finita, dependerá do cuidado a que se lhe darão os donos, e das condições ambientais em que a peça viverá em seu novo lar. De alguma maneira, nos convocam a refletir sobre a finitude da vida, que por sua vez permeia tudo, inclusive as construções: o que não é ruim, apenas é. Tudo está em transformação, sempre.A convite do The Largo, desenvolvi a série de pequenas peças utilizando lascas dos antigos caixotões de tecto do edifício que é sede do projecto (provavelmente datados dos 1500), arame de ferro e resina de pinheiro.
as peças, muito leves e delicadas, mantêm-se de pé por conta de algumas tensões: o arame é encaixado por meio de dois furos na lasca de madeira esculpida, e é a partir das suas curvas que cria a tensão necessária para se manter fixo. O estado sólido da resina também é em si, tenso, e tão inflexível que torna-se extremamente quebradiço, e por isto gera também alguma tensão para o manuseio.
a finitude manifesta pela fragilidade da resina faz-me pensar no anseio por uma imortalidade dos corpos e das coisas. na arquitectura, discute-se uma visão que até recentemente pensava um edifício até a finalização da sua construção, como se a partir dali fosse apenas a decadência e a morte ou então como se existisse uma redoma que a tornasse impenetrável ao inevitável: a sua apropriação pela humidade e pelo bichos - humanos ou não humanos: negligentes ou pragas.
a verdade, porém, é que a transformação é inevitável, para além de boa ou ruim. simplesmente é.